História

O Centro Espírita Amor, Caridade e Esperança foi fundado em 1º de setembro de 1942. Antes disso, porém, sua criação já havia sido planejada na espiritualidade. Foram os espíritos superiores encarregados de dirigir a futura casa que escolheram seu nome e as pessoas indicadas para dar início ao trabalho. O novo Centro nascia com uma importante missão: atuar na desobsessão. Essa tarefa seria realizada sob a proteção de um grande precursor do Cristianismo: João Batista, o patrono do CEACE.

Através de uma mensagem mediúnica, os onze fundadores do Centro foram comunicados de sua missão. Antonio dos Santos, Rosa dos Santos, Agostinho José Rodrigues, Benta Rodrigues, Carlos Manoel da Silva, Milton Rodrigues Serra, Antonio Alves Ramos, Manoel Motta Teixeira, Antonio Corrêa Villela, Manoel Machado Soares e Joaquim do Rosário iniciaram então as reuniões de preparação do Centro. Todo o trabalho foi sempre realizado sob a orientação dos guias espirituais da casa, que começava a montar seus alicerces.

No início, o CEACE funcionava numa casa alugada, na Rua Voluntários da Pátria 20, em Botafogo. Ocupava a sede do extinto Círculo Espírita Cáritas, que havia sido dirigido pelo grande divulgador do Espiritismo Ignácio Bittencourt. A sede própria, que fica na Rua São Manuel 12, no mesmo bairro, só foi comprada vinte anos depois, em 1962. Na época, foi feita entre os freqüentadores uma grande campanha de arrecadação de verbas.

Antonio dos Santos, o "pai" do CEACE
Antonio dos Santos é lembrado com carinho, hoje, por sua grande dedicação e amor ao CEACE. Com sua mediunidade bastante aflorada e seu caráter reto, tornou-se um líder natural na casa e foi um dos grandes responsáveis por seu desenvolvimento, até desencarnar, em 1976. Uma curiosidade é que nunca foi presidente do Centro, mas sempre o diretor dos trabalhos mediúnicos. Através dele, os amigos espirituais podiam se comunicar com facilidade, orientando as atividades e os freqüentadores do Centro. Segundo aqueles que o conheceram, Seu Santos ajudava a todos que o procuravam. Quando o Centro estava fechado, não hesitava em oferecer ajuda em sua própria casa (no número 30 da mesma rua) que dividia com outros três importantes fundadores: sua esposa, Rosa dos Santos, e o casal Agostinho e Benta Rodrigues.

Muita coisa mudou desde aquela época. Quando a casa começou a funcionar, o Espiritismo era visto com reservas pelas autoridades. Por isso, os médiuns tinham que ser registrados em livro, com foto e carimbo do cartório, além de atestado médico provando que não tinham doenças infecto-contagiosas e que gozavam de perfeito estado de sanidade mental. Esse livro era mantido no Centro para ser apresentado à polícia em caso de blitz. Também era costume da época os homens e as mulheres se sentarem em lados separados do salão. Crianças não podiam freqüentar o Centro. Nos dias de festas solenes, os homens iam vestidos de terno com flor na lapela.

O estudo da doutrina em primeiro lugar
As atividades do Centro também sofreram reformulações: no início, as reuniões mediúnicas eram abertas ao público. Hoje, são fechadas, para que os médiuns se concentrem melhor. A partir da década de 70, a casa também passou a investir mais no estudo e na divulgação do Espiritismo. As palestras sobre a doutrina hoje são realizadas com maior frequência. Além disso, foram formados grupos de estudo e evangelização. O trabalho de desobsessão continua forte: no plano espiritual, o Centro funciona como uma grande enfermaria para espíritos necessitados de ajuda.

Durante esses mais de 50 anos, o CEACE cresceu em tamanho e em número de freqüentadores e o número de atividades aumentou. A casa já resistiu até mesmo a um incêndio, em 1986, no estabelecimento ao lado: as labaredas passavam por cima do telhado e não atingiam o Centro. Os estatutos já passaram por duas reformas, mas uma cláusula continua imutável: em caso de dissolução do Centro, o patrimônio será doado ao Abrigo Thereza de Jesus, no Maracanã, Rio de Janeiro. Hoje, o Amor, Caridade e Esperança passa por novas obras, para que possa aprimorar o serviço aos frequentadores da casa e atender melhor aos desígnios da espiritualidade.