| Allan Kardec | |
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Kardec nasceu na cidade de Lyon, na França, no dia 3 de outubro de 1804. Seu nome de batismo não era esse, porém: foi batizado na religião católica como Hipollyte-Léon-Denizard Rivail. Só adotou o pseudônimo Allan Kardec muitos anos mais tarde, depois de iniciar seu contato com os fenômenos espíritas. Durante uma reunião mediúnica na casa da família Baudin, em Paris, o espírito protetor Zéfiro manifestou-se dizendo que havia conhecido Rivail em uma existência anterior, no tempo dos druidas, quando viviam juntos nas Gálias. Segundo Zéfiro, nessa época Rivail se chamava Allan Kardec. Quando Rivail publicou seu primeiro livro espírita, O Livro dos Espíritos, em 1857, resolveu assiná-lo com o pseudônimo, e passou a usá-lo em todas as suas novas obras. O professor
Rivail Concluindo seus estudos em Yverdon, retorna à França, desta vez a Paris. Logo destaca-se como pedagogo e escreve seu primeiro livro em 1823, com apenas 18 anos de idade: Curso prático e teórico de Aritmética, para crianças. No mesmo ano se torna membro da Sociedade de Magnetismo de Paris, tornando-se ele próprio experiente magnetizador. E lá que conhece o magnetizador Fortier, que em 1854 lhe falaria pela primeira vez das "mesas girantes". Kardec funda dois institutos de educação em Paris e ainda escreve muitas outras obras didáticas. Em 1931, conhece Amélie Gabrielle Boudet, também professora e autora de livros, com quem se casaria em 6 de fevereiro de 1832. Amélie viria a tornar-se uma preciosa colaboradora para sua futura atuação missionária. As mesas
girantes "Isso é uma outra questão", replica Kardec. "Crerei nisso quando o vir, e quando se me tiver provado que uma mesa tem um cérebro para pensar, nervos para sentir, e que possa se tornar sonâmbula; até lá, permiti-me nisso não ver senão uma história de fazer dormir." Testemunhando o fenômeno na casa da Sra. de Plainemaison, em maio de 1855, porém, Kardec não tem mais dúvidas. "As minhas idéias estavam longe de ser detidas, mas havia ali um fato que deveria ter uma causa. Entrevi, sob essas futilidades aparentes e a espécie de jogo que se fazia desses fenômenos, alguma coisa de séria, e como a revelação de uma nova lei, que me prometia aprofundar." Em reuniões na casa da família Baudin, Kardec pode observar os fenômenos mais atentamente. As jovens Caroline e Julie Baudin escreviam sobre uma ardósia com a ajuda de uma cesta, método que exigia a atuação de duas pessoas e por isso excluía totalmente a intervenção das idéias do médium. Ali, viu diversas comunicações e respostas dadas às perguntas propostas. Kardec conclui, afinal, que as mensagens eram efetivamente manifestações inteligentes produzidas pelos espíritos dos homens que deixaram a Terra. Uma nova
ciência "Compreendi, desde logo, a seriedade da exploração que iria empreender; entrevi, nesses fenômenos, a chave do problema, tão obscuro e tão controverso, do passado e do futuro da Humanidade, a solução do que havia procurado em toda a minha vida; era, em uma palavra, toda uma revolução nas idéias e nas crenças; seria preciso, pois, agir com circunspecção, e não levianamente; ser positivo e não idealista, para não se deixar iludir", afirma. Kardec passou a levar a cada sessão uma série de perguntas, que eram respondidas pelos espíritos com precisão, profundeza e lógica. Daquelas respostas, que formavam um conjunto e ganhavam as proporções de uma doutrina, teve a idéia de publicar um livro. Desenvolvidas e completadas, formaram a base de O Livro dos Espíritos. Mais de dez médiuns prestaram assistência para a primeira edição, publicada em 18 de abril de 1857. Este foi o marco inicial da codificação espírita. O Espírito
de Verdade No dia seguinte, em reunião na casa da família Baudin, Kardec pede aos espíritos a explicação do fato e descobre que o autor das pancadas era seu guia espiritual, querendo comunicar-se com ele. O iluminado espírito estava presente, e identifica-se: "Para ti, me chamarei A Verdade, e todos os meses, aqui, durante um quarto de hora, estarei à tua disposição". Kardec escreve mais tarde que a proteção do Espírito de Verdade nunca lhe faltou, em todos os momentos de sua vida. A primeira revelação da missão de Kardec foi feita em 30 de abril de 1856, através da médium Japhet. "Rivail é o obreiro que reconstrói o que foi demolido", disse o espírito comunicante. O Espírito de Verdade confirma a missão, pela médium Aline C., em 12 de junho de 1856, advertindo-o dos percalços que teria que enfrentar: "A missão dos reformadores está cheia de escolhos e de perigos; a tua é rude, disso te previno, porque é o mundo inteiro que se trata de agitar e de transformar". O movimento
espírita se expande Em 1º de abril do mesmo ano, funda a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, primeiro grupo de estudo da doutrina. Em 1860, a sociedade e a Revista Espírita se instalam na Passage Sainte Anne, na Rue de Sainte Anne 59, Paris. Lá Allan Kardec praticamente vivia, escrevendo para revistas e jornais, publicando novas obras e recebendo visitantes. Em 15 de janeiro de 1861, lança O Livro dos Médiuns, a base da ciência espírita. Em 1864, lança O Evangelho segundo o Espiritismo, que é o alicerce moral da doutrina. Em 1865 publica O Céu e o Inferno, uma análise da justiça divina segundo o Espiritismo. Em 1868, enfim, publica A Gênese, o último livro básico da Codificação, em que fala sobre a criação do universo e as leis naturais, além de expor sobre as predições e os ditos "milagres" do Evangelho, que na visão espírita são fenômenos naturais e explicáveis à luz da razão. O Auto-de-fé
de Barcelona Sobre o fato, o Espírito de Verdade se pronunciou: "A minha opinião é que resultará desse auto-de-fé um bem maior do que não produziria a leitura de alguns volumes. A perda material não é nada em comparação com a repercussão que semelhante fato dará à Doutrina". Na Revista Espírita de 1861, Kardec escreve: "Graças a esse zelo imprudente, todos na Espanha ouvirão falar de Espiritismo e quererão saber o que ele é, e isto é o que desejamos. Podem queimar livros, mas não se queimam idéias. (...) E quando é grande e generosa uma idéia, encontra milhares de corações dispostos a almejá-la". Até breve,
meu caro Allan Kardec Amélie Boudet tinha, na época, 74 anos. Continuou os trabalhos do marido na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e sobreviveu até 1883, quando desencarnou sem herdeiros diretos, deixando todo o seu patrimônio para a Sociedade. No enterro de Kardec, em 2 de abril, Camille Flammarion faz belo discurso, em que diz: "Encontrar-nos-emos num mundo melhor, e no céu imenso, onde usaremos das nossas mais preciosas faculdades, continuaremos os estudos para cujo desenvolvimento a Terra é teatro por demais acanhado. É-nos mais grato saber esta verdade do que acreditar que jazes todo inteiro nesse cadáver e que tua alma se haja aniquilado com a cessação do funcionamento de um órgão. A imortalidade é a luz da vida, como este refulgente sol é a luz da natureza. Até breve, meu caro Allan Kardec, até breve!" |